Um dia você vai encontrar o homem da sua vida. Seu melhor amigo, sua alma gêmea, aquele que você poderá contar seus sonhos. Ele vai tirar seu cabelo dos olhos. Te enviar flores quando você menos esperar. Ele vai ficar admirando você durante os filmes, mesmo que ele tenha pago 8 reais para assistir. Ele vai te ligar para dizer boa noite só porque ele sente sua falta. Ele vai olhar no fundo de seus olhos e dizer: ‘’Você é a garota mais bonita do mundo.’’ E pela primeira vez em sua vida, você vai acreditar.
Sempre acordei no mesmo horário, todos os dias. O despertador toca 06:20 a.m. e eu levanto às 06:29 a.m.. Tomo meu banho, pego a primeira roupa que vejo no guarda roupa e saio para tomar café da manhã na padaria da esquina. Odeio café da manhã, só vou até lá porque a menina que trabalha no caixa é a mais gostosa do bairro. Ando 300 metros até o ponto de ônibus e costumo esperar uns 5 minutos até o ônibus chegar. O ônibus não vai cheio nem vazio, sei lá, sempre tem lugar para eu ir sentado. Chego no trabalho perto das 07:37 a.m., ‘7 minutos atrasado’, é o que minha chefe sempre fala. Mas se eu fosse chegar no horário certo, teria que acordar no mínimo uns 15 minutos mais cedo, a padaria estaria fechada, o que significa que eu não poderia ver a gostosa e o ônibus estaria lotado. Óbvio que eu opto por ouvir todos os dias que estou 7 minutos atrasado. Faço o que tenho que fazer o mais rápido possível e depois fico o resto da manhã jogando paciência no computador. Dei sorte de pegar esse emprego de meio período. Volto na padaria para ver se a gostosa ainda está ali, normalmente sim, mas não entro, aprecio apenas pelo lado de fora, olhando pelo vidro e volto para casa. Como o que tiver na geladeira, durmo, acordo, vejo televisão, tomo outro banho, vejo mais televisão, como e vou dormir de novo. Aí tudo recomeça. Despertador tocou 06:20 a.m., acordei 06:29 a.m., tomei meu banho, peguei a primeira roupa, fui até a gostosa da padaria, caminhei até o ponto de ônibus, esperei 5 minutos… Tudo como sempre, tudo normal. Exceto a ruiva sentada do lado da janela na terceira fila no ônibus. Ela olhou para mim e sorriu. Mas ela não sorriu com o lábio, ela sorriu com os olhos. Porra. Porra, porra, porra. Por quê? Ok, continua a rotina normalmente, ela é só uma estranha que apareceu no ônibus hoje. Mas não tinha como continuar a rotina normalmente. Primeiro porque aquele cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol estava chamando muito a minha atenção, segundo porque o ônibus estava lotado, terceiro porque o único lugar vago era ao lado dela. Sentei e achei um ponto fixo, olhando para frente. Comecei a ler o anúncio, que eu já sabia de cor, colado perto do motorista. Quando eu estava lendo pela trigésima terceira vez, ela me pediu licença. Que voz linda, puta que pariu. Doce, sabe? Suave, calma. PORRA, POR QUE EU ESTAVA REPARANDO NA VOZ DA MENINA? Fazia tempo que isso não acontecia. E isso não era um bom sinal. ‘Licença’ ela repetiu. Me dei conta que eu também tinha que descer no próximo ponto. Pedi desculpa, deixei ela passar e levantei logo atrás para descer também. Se a caixa da padaria era gostosa, a menina do cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol era gostosa pra caralho. Pra caralho. Não pude evitar, precisei ver para onde ela ia. Felizmente ela foi na mesma direção que eu precisava ir. Ela passou reto pelo lugar que eu deveria ter entrado, continuou mais uns 200 metros e entrou na farmácia. Por isso que ela estava toda de branco. Explicado. Legal, ela trabalhava perto de mim. Isso significa que nós nos encontraríamos todos os dias no ônibus, se ela fosse para o trabalho de ônibus que nem eu. Por um segundo desejei que sim, depois me perguntei o que eu estava fazendo, dei meia volta e fui em direção ao trabalho. ‘Doze minutos atrasado’ foi o que eu ouvi dessa vez. Juro que eu tentei fazer as coisas rápido como sempre, mas essa menina não saia dos meus pensamentos. Eu começava a fazer uma coisa e quando eu me dava conta, já tinha parado de fazer a coisa para pensar nela. PORRA, O QUE ESTAVA ACONTECENDO COMIGO? Não tive tempo de jogar paciência. Saí do trabalho irritado, esqueci de ir na padaria checar se a gostosa (agora nem mais tão gostosa assim) ainda estava lá, não almocei, tentei dormir mas também não deu certo porque eu estava ansioso, querendo que chegasse o dia seguinte para poder rever aquele sorriso com os olhos da menina do cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol. Liguei a televisão para tentar me espairecer um pouco e deu certo, peguei no sono. Acordei às 5 da manhã com o cara do filme berrando e com uma puta dor nas costas porque eu tinha dormido no sofá. Como eu tinha certeza que eu não dormiria novamente e, se eu dormisse, não acordaria em uma hora e meia, resolvi tomar banho. Demorei mais tempo que o normal, e não foi porque eu estava uma hora adiantado. Não peguei a primeira roupa do guarda roupa, escolhi uma como se eu fosse para algum evento importante. Mas na minha cabeça, eu ia mesmo, encontrar a ruiva sentada do lado da janela na terceira fila no ônibus. Passei até perfume. 06:33 a.m. eu já estava pronto e não sabia mais o que fazer. Não podia sair mais cedo porque senão eu não ia pegar o mesmo ônibus que ela, não ia na padaria porque eu não tinha mais motivo para tomar café da manhã, mas eu não aguentava mais ficar em casa. Saí. Fui bem devagar, contei os passos da minha casa até o ponto. Exatos 729 passos. Sentei no ponto e esperei mais do que 5 minutos. Esperei eternos 19 minutos até que finalmente o ônibus chegou. ‘Tomara que ela esteja lá, tomara que ela esteja lá, tomara que ela esteja lá’ pensei ao subir os degraus. ELA ESTAVA LÁ!!!!!!!! Acho que eu até sorri para o motorista e dei bom dia ao cobrador. O banco ao lado dela estava vazio e, óbvio, não pensei duas vezes e fui até lá. A última vez que eu tinha ficado afim de alguém tinha sido na sétima série, eu não lembrava mais como fazia essas coisas, como chegava em uma menina, se tinha que ser meigo (coisa que eu não sabia fazer) ou se tinha que chegar chegando. PORRA. Eu não fazia a mínima ideia. Não deu tempo de chegar em uma conclusão, o ponto tinha chegado. Descemos, parei no trabalho e ela continuou até a farmácia. Foi a semana inteira assim, eu não parando de pensar nela, o dia passando devagar, eu querendo chegar nela de algum jeito e não sabendo qual, ela sorrindo com os olhos todos os dias, eu observando ela caminhar até a farmácia para depois entrar no meu trabalho, eu sorrindo para desconhecidos, escolhendo minha roupa, demorando no banho, passando perfume, não indo mais até a padaria, vendo coisas românticas na televisão. O final de semana foi insuportável. Acordei no horário do trabalho desejando que o fato de eu não poder vê-la hoje fosse um sonho, ou melhor, um pesadelo. Mas não, era sábado mesmo. Saí para caminhar, fiz o trajeto do ônibus para ver se eu a encontrava em algum lugar, mas nada. Sei lá porque eu pensei que isso seria possível, mas enfim. Passei na locadora e peguei uma quantidade de filmes suficiente para que meu sábado e meu domingo ficassem lotados e eu não tivesse tempo de pensar nela. Operação sem sucesso. Finalmente chegou segunda-feira. Pulei da cama. Acordei sem despertador, inclusive. Tomei banho, coloquei a roupa, passei perfume e fui até o ponto. Meu coração começou a bater mais forte quando o ônibus estava se aproximando. PORRA CORAÇÃO, NÃO FAZ ISSO COMIGO. Aí eu vi. Ela sentadinha, como sempre, na terceira fila do ônibus, do lado da janela e um espaço vago ao seu lado. Sentei. Pela terceira vez repassei toda a conversa que eu tinha planejado ao longo do final de semana, respirei fundo e arrisquei: - Oi, meu nome é Eduardo - tenho certeza que minhas bochechas ficaram mais vermelhas que o cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol dela. - Oi, meu nome é Brenda - e ela sorriu. Mas dessa vez, não apenas com os olhos. Eu não sabia nada sobre as mulheres, mas achei isso um bom sinal.
Sempre acordei no mesmo horário, todos os dias. O despertador toca 06:20 a.m. e eu levanto às 06:29 a.m.. Tomo meu banho, pego a primeira roupa que vejo no guarda roupa e saio para tomar café da manhã na padaria da esquina. Odeio café da manhã, só vou até lá porque a menina que trabalha no caixa é a mais gostosa do bairro. Ando 300 metros até o ponto de ônibus e costumo esperar uns 5 minutos até o ônibus chegar. O ônibus não vai cheio nem vazio, sei lá, sempre tem lugar para eu ir sentado. Chego no trabalho perto das 07:37 a.m., ‘7 minutos atrasado’, é o que minha chefe sempre fala. Mas se eu fosse chegar no horário certo, teria que acordar no mínimo uns 15 minutos mais cedo, a padaria estaria fechada, o que significa que eu não poderia ver a gostosa e o ônibus estaria lotado. Óbvio que eu opto por ouvir todos os dias que estou 7 minutos atrasado. Faço o que tenho que fazer o mais rápido possível e depois fico o resto da manhã jogando paciência no computador. Dei sorte de pegar esse emprego de meio período. Volto na padaria para ver se a gostosa ainda está ali, normalmente sim, mas não entro, aprecio apenas pelo lado de fora, olhando pelo vidro e volto para casa. Como o que tiver na geladeira, durmo, acordo, vejo televisão, tomo outro banho, vejo mais televisão, como e vou dormir de novo. Aí tudo recomeça. Despertador tocou 06:20 a.m., acordei 06:29 a.m., tomei meu banho, peguei a primeira roupa, fui até a gostosa da padaria, caminhei até o ponto de ônibus, esperei 5 minutos… Tudo como sempre, tudo normal. Exceto a ruiva sentada do lado da janela na terceira fila no ônibus. Ela olhou para mim e sorriu. Mas ela não sorriu com o lábio, ela sorriu com os olhos. Porra. Porra, porra, porra. Por quê? Ok, continua a rotina normalmente, ela é só uma estranha que apareceu no ônibus hoje. Mas não tinha como continuar a rotina normalmente. Primeiro porque aquele cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol estava chamando muito a minha atenção, segundo porque o ônibus estava lotado, terceiro porque o único lugar vago era ao lado dela. Sentei e achei um ponto fixo, olhando para frente. Comecei a ler o anúncio, que eu já sabia de cor, colado perto do motorista. Quando eu estava lendo pela trigésima terceira vez, ela me pediu licença. Que voz linda, puta que pariu. Doce, sabe? Suave, calma. PORRA, POR QUE EU ESTAVA REPARANDO NA VOZ DA MENINA? Fazia tempo que isso não acontecia. E isso não era um bom sinal. ‘Licença’ ela repetiu. Me dei conta que eu também tinha que descer no próximo ponto. Pedi desculpa, deixei ela passar e levantei logo atrás para descer também. Se a caixa da padaria era gostosa, a menina do cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol era gostosa pra caralho. Pra caralho. Não pude evitar, precisei ver para onde ela ia. Felizmente ela foi na mesma direção que eu precisava ir. Ela passou reto pelo lugar que eu deveria ter entrado, continuou mais uns 200 metros e entrou na farmácia. Por isso que ela estava toda de branco. Explicado. Legal, ela trabalhava perto de mim. Isso significa que nós nos encontraríamos todos os dias no ônibus, se ela fosse para o trabalho de ônibus que nem eu. Por um segundo desejei que sim, depois me perguntei o que eu estava fazendo, dei meia volta e fui em direção ao trabalho. ‘Doze minutos atrasado’ foi o que eu ouvi dessa vez. Juro que eu tentei fazer as coisas rápido como sempre, mas essa menina não saia dos meus pensamentos. Eu começava a fazer uma coisa e quando eu me dava conta, já tinha parado de fazer a coisa para pensar nela. PORRA, O QUE ESTAVA ACONTECENDO COMIGO? Não tive tempo de jogar paciência. Saí do trabalho irritado, esqueci de ir na padaria checar se a gostosa (agora nem mais tão gostosa assim) ainda estava lá, não almocei, tentei dormir mas também não deu certo porque eu estava ansioso, querendo que chegasse o dia seguinte para poder rever aquele sorriso com os olhos da menina do cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol. Liguei a televisão para tentar me espairecer um pouco e deu certo, peguei no sono. Acordei às 5 da manhã com o cara do filme berrando e com uma puta dor nas costas porque eu tinha dormido no sofá. Como eu tinha certeza que eu não dormiria novamente e, se eu dormisse, não acordaria em uma hora e meia, resolvi tomar banho. Demorei mais tempo que o normal, e não foi porque eu estava uma hora adiantado. Não peguei a primeira roupa do guarda roupa, escolhi uma como se eu fosse para algum evento importante. Mas na minha cabeça, eu ia mesmo, encontrar a ruiva sentada do lado da janela na terceira fila no ônibus. Passei até perfume. 06:33 a.m. eu já estava pronto e não sabia mais o que
Mas não passa. Não importa que faça três meses ou três anos. Isso, aqui dentro, parece que nunca vai ter um fim. Mas já não é mais amor. Também não posso cogitar que seja outra coisa. Acredito que sejam só restos, restos de um amor meio torto, meio surrado, dos mais complicados, dos mais tristes também, mas que permaneceu vivo o tempo todo dentro de mim, em silêncio. E permanece. Em cada milímetro de mim, cada parte do que eu sou. Cada saudade que eu sinto é um pouco de saudade sua também. Em cada frase que eu escrevo, uma palavra é dedicada a você também. Cada amor que eu tenho, é um pouco do seu. Amor que ressurge em algumas horas e, sinceramente, me deixa no chão. Nada tão devastador quanto o que você já foi pra mim, nada que eu não possa aguentar calada. Nada que, ao amanhecer, eu já não tenha deixado pra lá e seguido em frente. Não é mais urgência de você, é só… lembrança. É só falta. É só certeza de que nunca vai existir um outro você, ou que acidentalmente a gente vá se encontrar aos 30 anos de idade e desenterrarmos o que nós éramos. É só saudade. Saudade que eu já aprendi a conviver, e que já entendi que, provavelmente, eu vou ter que senti-la pelo resto da vida. Nada que eu poderia fazer – e faço – compensaria esse nosso infinito desfeito.